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Santo André

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KATZ CONSTRUÇÕES

Blog da Vila
por Léa Penteado

Antes de existir blogs, quando havia concurso de redação escolar, eu já escrevia. A curiosidade me levou aos 20 anos a ser repórter em uma editora de revistas e quando vi era jornalista. Portas foram abrindo e, além de centenas de reportagens contando fatos e histórias de anônimos e celebridades, escrevi um espetáculo para teatro, fui autora de pequenos seriados para a TV, argumento para um filme, três livros e, quando chegou o blog, descobri que podia ser contadora da minha própria história e o que tivesse no entorno. Escrevo por que é vital, é como respirar.

Memórias do Tempero

O aroma do leite fervendo na panela até se transformar em ambrosia é a mais antiga lembrança que remete Marta à cozinha. Morando na roça, em Canavieiras, sul da Bahia, acompanhou a mãe sempre mexendo o tacho, fazendo doce para os 6 filhos, aproveitando o leite que sobrava no curral. O bolo de Santa Terezinha foi a primeira experiência aos 12 anos. Aos domingos todos iam para a cozinha, cada um fazia um prato, num tempo em que a tradição era frango com macarronada. Marta foi desenvolvendo o prazer e o amor pelas panelas, temperos e sabores, formou-se professora, seguiu a vida como muitas mulheres onde a cozinha é lugar de alimentar a família e receber os amigos. Casada com político importante na região, cansou de ouvir o marido orgulhoso dizer “minha mulher cozinha muito bem”. No fim do mandato do marido, dando um tempo à política, mudaram para Vitória (ES) para ficar mais perto do filho que se transformara em chef premiado. O marido envolvido com novos negócios e a solidão no apartamento da cidade grande, chamou a atenção do filho que lhe propôs fazer Enem para Gastronomia na Universidade de Vila Velha. Estava há 40 anos fora da sala de aula, mas meteu a cara nos livros e foi aprovada. A faculdade lhe deu a técnica e somou aos saberes que tinha dos temperos. Seu objetivo era terminar a faculdade, fazer pós graduação, mestrado e se tornar professora universitária. Mas o marido, um homem do campo, resolveu voltar para as terras em Cabrália e, quando viu, ela já estava sonhando em ter um restaurante. Buscou a parceria com o filho Danilo Amaral e assim nasceu o Maroca Praia, um restaurante com o pé na areia, na praia do Boboca, no povoado de Santo Antonio, bairro vizinho a Santo André. No 1º ano ganhou o prêmio de melhor prato do 4º Festival da Lagosta, tem uma equipe formada por moradores a localidade, o bairro onde mora há quase 20 anos, e no cardápio um mix de culinária afetiva e gastronomia contemporânea. Nas sobremesas estão as suas raízes, a ambrosia e o pudim de leite, ambos receitas de Dona Maroca, sua mãe.